STJ vai investigar tentativas de uso de “prompt injection”

Por Beatriz Olivon

Corte prevê instauração de inquérito policial e procedimento administrativo para apuração dos fatos e oitiva dos advogados e escritórios envolvidos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificou em seu acervo processos com prompt injection —injeção de comando oculto para tentar manipular inteligência artificial. A Corte definiu a instauração de inquérito policial e procedimento administrativo para apuração dos fatos e oitiva dos advogados e escritórios envolvidos, com vista à eventual responsabilização nos âmbitos criminal e correicional.

A questão ganhou notoriedade recentemente, com um caso na 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA). Houve a tentativa de manipular a ferramenta criada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT-RS), batizada de Galileu, usada na esfera trabalhista para automatizar a leitura das principais peças processuais.

Foi determinado pela presidência do STJ que as tentativas de uso desse mecanismo, embora neutralizadas pelo sistema, passem a ser certificadas nos autos para permitir a aplicação, por ministros e ministras da Corte, de sanções processuais aos envolvidos.

Em nota, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, afirma que o tribunal vai apurar as tentativas de fraude processual. De acordo com o ministro, o STJ Logos (sistema de IA generativa elaborado pela Corte) já foi desenvolvido com comandos específicos para impedir esse tipo de manipulação. “Estamos mapeando todas as tentativas de prompt injection para permitir a aplicação de sanções processuais e a devida apuração de responsabilidade administrativa e criminal dos envolvidos”, diz em nota.

A Corte reforça que, no caso do STJ Logos, mesmo que o sistema receba petições com as injeções de comando ocultas, camadas de segurança e integridade impedem que essas ordens maliciosas sejam executadas.

Para mitigar vulnerabilidades como a da injeção de comandos, o STJ Logos adota uma estratégia de defesa estruturada em três níveis complementares: a segregação estrita entre instruções e dados; delimitação de escopo contextual, de modo a impedir que eventuais diretrizes externas sobreponham suas regras centrais e a aplicação de um filtro de conformidade para a revisão da saída gerada, para garantir que o resultado sugerido esteja alinhado às políticas de segurança.

 

Fonte: https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2026/05/21/stj-vai-investigar-tentativas-de-uso-de-prompt-injection.ghtml