A recomposição de estoques é apontada como a principal razão para o crescimento da produção industrial nos dois primeiros meses de 2026.
A produção da indústria brasileira cresceu 0,9% em fevereiro, ante janeiro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o maior avanço para um mês de fevereiro desde o crescimento de 1% em fevereiro de 2017. Em janeiro, o indicador teve alta de 2,1% (após divulgação inicial de alta de 1,8%).
O desempenho de fevereiro ficou acima da mediana das estimativas de 28 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo VALOR DATA, de alta de 0,8%. As projeções iam de recuo de 0,3% a alta de 1,5%.
Frente a fevereiro de 2025, a produção industrial caiu 0,7%. Por essa base de comparação, a expectativa mediana do mercado era de queda de 1% do indicador, conforme levantamento do VALOR DATA. As projeções variavam entre queda de 3,4% e alta de 0,6%.
A indústria acumula crescimento de 0,30% em 12 meses até fevereiro. Com o resultado do mês, o setor industrial está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011 e 3,2% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020.
A recomposição de estoques é apontada como a principal razão para o crescimento da produção industrial nos dois primeiros meses de 2026. “Janeiro é um mês muito caracterizado por volta à produção depois de dezembro, quando há férias coletivas e paralisações. Mas a manutenção no campo positivo é muito mais associada a recomposição de estoques”, disse André Macedo, gerente da PIM-PF.
“Há uma leitura que de o nível de estoques está abaixo do planejado. O fato é que temos início de 2026 marcado por recuperação na produção disseminada entre os diferentes setores”, acrescentou.
Macedo destaca ainda que nos dois primeiros meses do avanço acumulado frente a dezembro é de 3%. “Com essa sequência de dois meses de crescimento e eliminando perdas recentes, esse patamar de produção é o melhor desde janeiro de 2021. Há de fato uma melhora no setor industrial”, observa Macedo.
Setores
Todas as quatro grandes categorias do setor industrial pesquisadas pelo IBGE tiveram alta na atividade em fevereiro, ante janeiro.
Os bens de capital tiveram alta de 2,3% em fevereiro, frente a janeiro, e estão em patamar de produção 7,6% acima do pré-pandemia (fevereiro de 2020). Na comparação com fevereiro de 2025, a produção recua 13,5%.
Já a produção de bens intermediários apresentou crescimento de 1,1% na passagem entre janeiro e fevereiro, e estão 6% acima do pré-pandemia. A comparação anual, ante fevereiro de 2025, também aponta alta de 1,1%. A categoria representa cerca de 55% da indústria.
A produção de bens duráveis, por sua vez, subiu 0,9% em fevereiro, em relação a janeiro, mas estão 9,7% abaixo do pré-pandemia. Na comparação com fevereiro de 2025, o indicador teve queda de 9,3%.
O resultado de bens semiduráveis e não duráveis, por sua vez, foi de alta de 0,7% em fevereiro, frente a janeiro, mas estão 2,4% abaixo do pré-pandemia. Na comparação anual, com fevereiro de 2025, houve queda de 0,3%.
Dos 25 setores industriais analisados pelo IBGE, 16 tiveram expansão na produção frente a janeiro. No mês passado, essa disseminação de alta abrangia 18 setores.
“O que enxergamos para o início de 2026, além da volta à produção, talvez seja a recomposição de estoques. Porque em termos conjunturais [da economia] não tem nada diferente do observado até o fim de 2025″, reitera Macedo.
Entre os segmentos produtivos, os maiores destaques no começo de 2026 foram veículos automotores, que acumula avanço de 14,1% nos dois primeiros meses do ano; derivados de petróleo, que sobem 9,9% desde dezembro; máquinas e equipamentos, que cresceram 6,8% somente em fevereiro; e indústria extrativa, com alta de 3,7% desde dezembro.